Nunca se falou tanto em impeachment do presidente Jair Bolsonaro como agora. O motivo está escancarado: o seu desgoverno na pandemia da Covid-19 agravado pelo atraso na vacinação.

Contrária a abertura do processo, a senadora paraibana Daniella Ribeiro (Progressistas) defendeu uma tese, nesta sexta-feira (22), já lançada por outros, que não se sustenta.

À imprensa, ela disse que não é o momento para este debate no país em virtude da maior crise sanitária da história.

“Acho que isso (impeachment) não cabe nas discussões do país, nesse momento. A gente precisa ajudar o país a resolver as questões da vacina, para que a população tenha acesso o mais rápido possível. Isso é o mais importante: cuidar da saúde do brasileiro e da economia. Nesse momento, seria totalmente prejudicial ao nosso país um impeachment. A gente sabe o que isso significa. Somos uma democracia nova e já passamos por isso duas vezes. Ter que começar e recomeçar tudo de novo é um prejuízo grande para nação. Temos as condições de diálogo para ajustar as coisas”, declarou.

Não há como negar a boa vontade da parlamentar, visto o trauma que um processo deste carrega, mas é pela crise na Saúde que o impeachment mais do que nunca se faz necessário.

No mesmo momento desta declaração, Jair Bolsonaro voltou a desdenhar da única vacina disponível no país, a CoronaVac, a qual pode ter sua produção interrompida pela falta de insumos, que somente a China – país que sofre sistematicamente ataques do presidente da República – tem.

“Não há nada comprovado cientificamente sobre essa vacina aí”, disse Bolsonaro, em mais uma mentira que implica na necessária relação diplomática do Brasil com a China.

Governadores chegaram a enviar uma carta na última quarta-feira (20) cobrando de Bolsonaro um diálogo diplomático com a China e a Índia. Coincidência ou não, a Índia autorizou o envio de 2 milhões de doses da vacina de Oxford para o Brasil.

No início da semana, coube ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), quase que suplicando ao governo chinês, dizer: “O Brasil não é só Bolsonaro”.

Por esse e outros tantos motivos, como o caos em Manaus, é que o impeachment virou uma questão de saúde pública.

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