Em um país tão diversificado é super comum encontrar quem não gosta do reality da TV Globo, o Big Brother Brasil, assim como existe quem não perde uma única edição. Para além do entretenimento, a verdade é que em 21 edições do programa nunca se colocou em pauta tantas causas sociais. Da cultura do cancelamento à xenofobia. De transtornos mentais ao racismo. Xingamentos, comparações, brincadeiras sem “querer ofender”. Gostando ou não do reality show, a verdade é que o programa de entretenimento tem colocado no centro do debate assuntos que transpõem o limite da dor alheia.

Entre pipocas e camarotes em busca do prêmio de um milhão e meio de reais, as feridas de uma sociedade que ainda não aprendeu a viver com o diferente é exposta agressivamente em rede nacional, doa a quem doer. O ouvir se faz pequeno diante do falar e o ciclo vicioso do agir precisa, na opinião de muitos, ser aceito. Afinal, eu tenho um amigo com quem brinco dessa forma, um parente que age desse modo e por aí vai…

Mais do que ver ao BBB, sobretudo nas edições 20 e 21, é preciso reconhecer sim que o reality show mais famoso e antigo do Brasil não é mera futilidade, perda de tempo, falta do que fazer. É um programa que apresenta entretenimento, mas que tem escancarado a falta de empatia, sensibilidade e compreensão de boa parte da parcela de nossa sociedade. Do “mi mi mi” ao está “tudo chato” até onde vai a sua capacidade de não querer enxergar as feridas do outro?

Paloma Faustino é formada em Jornalismo. Atualmente atua como assessora de imprensa na Múltipla

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