Muito se cobrou do PT e de Lula uma autocrítica em 2018, afinal, o partido deixou o poder sob fortes acusações e condenações de corrupção. Algumas delas, anos depois, estão caindo, é verdade.

Bolsonaro foi eleito na esteira do antipetismo. A ilusão de muitos era que tudo, a partir de então, seria diferente. E realmente está: pior. Até aqui são quase 3 anos de (des) governo, no pior momento da história do país. Um presidente que ameaça sistematicamente a democracia, que desdenhou de uma pandemia, não comprou vacinas e não menos grave, teria prevaricado no esquema de corrupção das vacinas, tendo tido o combate à corrupção uma bandeira de campanha.

Bolsonaro ameaça jornalistas, especialmente mulheres, gargalha das mais de 540 mil mortes de brasileiros para Covid-19, incita preconceito contra negros, gays e nordestinos e não menos grave, é um incompetente com grave suspeitas de corrupção também na época de deputado federal.

Uma parte da imprensa do país – diria que esta sim de forma radical – insiste em comparar Bolsonaro a Lula – como extremos, radicais, iguais etc. Um discurso decorado que não se sustenta sobre o que foi o governo Lula – com defeitos e acertos – e ao que é o atual governo – este, repito, um desgoverno –, quase sempre vindo de arrependidos do 17.

Li da jornalista Miriam Leitão, do jornal “O Globo”, a melhor definição sobre a descabida comparação.

– Na disputa entre Lula e Bolsonaro não há dois extremistas. Há um: Bolsonaro. O centro deve procurar seu espaço, seu programa, seu candidato, ou seus candidatos, porque o país precisa de alternativa e renovação. Mas não se deve equiparar o que jamais teve medida de comparação. O ex-presidente Lula governou o Brasil por oito anos e influenciou o governo por outros cinco. Não faz sentido apresentá-lo como se fosse a imagem, na outra ponta, de uma pessoa como o presidente Jair Bolsonaro. O PT jogou o jogo democrático, Bolsonaro faz a apologia da ditadura.

Nesta quinta-feira (22/7), o país acorda com a notícia que o General Braga Netto fez ameaça e condicionou a realização das eleições de 2022 ao voto impresso, bandeira do bolsonarismo. O recado do ministro da Defesa foi dado a Arthur Lira, presidente da Câmara dos Deputados. Mas ainda há quem continuará comparando Lula a Bolsonaro. 

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