Dono de uma das vozes mais icônicas da música brasileira, o paraibano Zé Ramalho coleciona sucessos que não se perdem no tempo. ‘Admirável Gado Novo’, por exemplo, escrita em 1979, durante a ditadura militar, talvez nunca esteve tão presente no contexto político do Brasil como agora em 2020, 42 anos depois. A música é um crítica, sobretudo, à manipulação psicológica/intelectual.

Em entrevista ao Estado de S. Paulo, Zé Ramalho foi questionado por não se manifestar ou falar publicamente, na visão da entrevistadora, sobre política. O paraibano de Brejo do Cruz discordou.

Não concordo com ‘não falar de política’, pois Admirável Gado Novo é talvez a música popular mais política que existe. Está tudo ali. Esta canção, O Meu País, é de autoria tripla: Livardo Alves, Orlando Tejo e Gilvan Chaves. Descobri essa canção num disco do grande artista e sanfoneiro Flávio José. O “fico calado” é uma ironia que os autores fizeram a tantas questões sociais expostas na música. Quanto ao conteúdo político, mais uma vez, no meu trabalho, sempre haverá. Na verdade, meu disco mais social-político é o Nação Nordestina (2000). Essas questões políticas, do jeito que eu as abordo, fazem parte das minhas inspirações, não como um todo, mas com a consciência de estar atento a tantas lamentações e sofrimentos do povo brasileiro.

Mais do que versos, Admirável Gado Novo é um hino político do país. “O povo foge da ignorância. Apesar de viver tão perto dela.”

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