Depois de três tentativas frustradas, Ciro prepara a quarta candidatura ao Planalto. Ele imaginava chegar a 2022 como o principal adversário de Jair Bolsonaro. O plano foi por água abaixo quando Lula recuperou os direitos políticos e assumiu a dianteira nas pesquisas.

Emparedado, Ciro contratou o marqueteiro João Santana para repaginar o discurso. Abandonou propostas identificadas com a esquerda e passou a cortejar o eleitorado conservador. Chegou a gravar um vídeo de propaganda com a Bíblia na mão, de olho no voto evangélico.

A guinada tem certa lógica. Se o petista mantiver a liderança folgada, restará a Ciro disputar a outra vaga no segundo turno. Para isso, ele precisará competir com Bolsonaro pelo papel de “anti-Lula”. O desafio é operar essa mágica sem atirar no próprio pé. Em 2018, o pedetista decepcionou parte de seus eleitores ao negar apoio a Fernando Haddad e viajar para Paris na reta final da eleição. Ele é cobrado até hoje pela atitude, que implodiu os esforços por uma frente ampla contra Bolsonaro.

Três anos depois, Ciro se mostra mais empenhado em atacar o PT do que em combater a extrema direita no poder. “O egocentrismo político sempre foi e continua sendo a característica marcante de Lula”, disparou ontem. Pode ser, mas o ex-ministro não parece muito longe dessa descrição.

Bernardo Mello Franco | O Globo:

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