Ainda que a fala de Lula (PT) sobre o autoritarismo na Nicarágua tenha sido retirada de contexto, é de uma infantilidade, no mínimo, que não cabe ao ex-presidente, reconhecido por dominar a arte da política, a tentativa de equiparar a realidade daquele país, a uma governante como Angela Merkel que sempre respeitou a democracia.

Lula erra e erra feio quando faz a uma comparação que apenas serve para municiar seus rivais e aqueles, que não escreveram uma linha sobre a sua passagem pela Europa, mas que aproveitaram de uma declaração infeliz – sim, infeliz, porque Lula governou o Brasil por oito anos e sempre se mostrou ser um democrata, não cabendo a comparação com Bolsonaro – para apagar o tour de sucesso que teve no velho continente.

Até o Moro, vejam só, o ex-juiz Sergio Moro, que virou ministro de Bolsonaro, entrou na polêmica para criticar Lula. Mas realmente, a pessoa mais indicada para falar da Nicarágua é o Moro. Ninguém na história recente sabe mais sobre prender opositores do que ele.

Apesar de Lula pisar na bola, por intenção ou não, o que deve mesmo para 2022 é a comparação de governos. Com a economia em frangalhos e o desastre do governo Bolsonaro na pandemia, a lembrança do governo Lula fará a diferença. Foi no governo do petista que o país reduziu drasticamente à fome, que hoje assola novamente o Brasil, e se tornou a sexta maior economia do mundo.

Foi no governo de Lula que a classe média viajava, enquanto hoje junta as moedas para comprar o botijão de gás e pagar a conta de luz. A comparação fará a diferença na disputa do ano que vem, não cabendo nem mesmo a Sergio Moro – um presidenciável que diz que o combate à fome é um “problema simples” – fazer o contraponto ao petista e a Bolsonaro. É a comparação do passado com o presente que decidirá o futuro.

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